
Título: Battle Royale
Autor: Koushun Takami
Tradução: Jefferson José Teixeira
Capa: Marcelo Martinez e Laboratório Secreto
Editora: Editora Alt (Globo Livros)
Ano: 2014
Páginas: 664
Classificação Indicativa: 16 anos e acima
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Conteúdo
- 1 Sinopse
- 2 Livro “Battle Royale”
- 3 Curiosidades
- 3.1 Battle Royale Omnibus (Vol. 1 de 5 – Com 4 cards exclusivos)
- 3.2 Battle Royale Omnibus (Vol. 2 de 5 – Com 4 cards exclusivos)
- 3.3 Battle Royale Omnibus (Vol. 3 de 5 – Com 4 cards exclusivos)
- 3.4 Battle Royale Omnibus (Vol. 4 de 5 – Com 4 cards exclusivos)
- 3.5 Battle Royale Omnibus (Vol. 5 de 5 – Com 4 cards exclusivos + dec…
Sinopse
Em “Battle Royale” temos um país totalitário, onde o governo cria um programa anual em que uma turma do ensino fundamental é escolhida para participar de um jogo. Os estudantes são levados para uma área isolada, onde recebem um kit de sobrevivência com uma arma para se proteger e matar os concorrentes. Uma coleira rastreadora é presa no pescoço de cada um deles. O jogo só termina quando apenas um estudante restar vivo.
Ao final do Programa, o vencedor é anunciado nos telejornais para todo o país. As regras do jogo foram criadas de maneira que não haja uma forma de escapar. E a justificativa da matança é mostrar para a população como o ser humano pode ser cruel e como não podemos confiar em ninguém – nem mesmo no nosso melhor amigo de escola.
Livro “Battle Royale”
É difícil saber o que se passa no coração das pessoas
“Battle Royale” de Koushun Takami foi publicado originalmente em 1999, tornando-se um marco entre as distopias no mundo literário, sendo traduzido para mais de dez idiomas após o seu lançamento. Explorando um cenário de extrema violência física e psicológica, “Battle Royale” é polêmico e intenso, profundamente político e carregado de críticas sociais. Tem uma narrativa direta, enérgica e brutal, que nos leva a questionar a natureza da obediência, da violência, do instinto de sobrevivência e da humanidade.
A história toda se passa em 1997, em uma versão alternativa do Japão, governada pela República da Grande Ásia Oriental, um regime totalitário com uma política de semi-isolacionismo. Possui uma vigilância e controle crescentes sobre tudo o que é consumido pela população, desde o que se come, se veste, se ouve, se crê, até o conhecimento que eles podem ter sobre o próprio país, nada e nem ninguém pode ir contra o governo. Um regime fascista bem-sucedido. Quem detém o poder máximo é denominado de Supremo Líder e os Estados Unidos é considerado um país inimigo.
“Battle Royale” nos mostra que o Supremo Líder acredita que os imperialistas americanos ameaçam sua República. Que exploram e atraem cidadãos de nações que deveriam ser suas aliadas, e que por meio de lavagem cerebral, manipula-os para os transformarem em guardiões do próprio imperialismo, tramando uma maneira de invadir o seu território e destruir o seu povo.
Baseado nessas circunstâncias, por razões de segurança, o governo cria um experimento militar chamado de Programa nº 68. Uma simulação de batalha conduzida pelas Forças Especiais de Defesa. O primeiro programa foi realizado em 1947, e a partir daí, anualmente cerca de 50 alunos do 9º ano das escolas de ensino fundamental são selecionados, de maneira aleatória, para a execução de um novo programa e coleta de dados estatísticos.
O Programa em “Battle Royale” nada mais é do que amigos de turma, a maioria na faixa dos 15 anos de idade, muitos que se conhecem desde crianças, sendo forçados a lutar entre si até a morte, restando apenas um sobrevivente, e os dados coletados, inclusive o tempo despendido, sendo analisados pelo governo. O vencedor ganha uma pensão vitalícia e um cartão autografado pelo Supremo Líder, sim, é isso mesmo que você leu.
O Programa, que é estritamente sigiloso sobre onde vai acontecer, como vai acontecer e quem vai participar, passa a ser considerado como o único tipo de sistema de alistamento militar do país, segundo o Supremo Líder, em sua lógica, é triste imaginar a vida de milhares de jovens sendo ceifadas, mas que a vida de cada um deles serve para resguardar e assegurar a independência e segurança dos cidadãos de sua nação.
E é nesse climinha legal que começa “Battle Royale”. 42 alunos da turma B do 9º ano da Escola de Ensino Fundamental Shiroiwa dentro de um ônibus, acreditando estarem em uma excursão da escola, quando de repente um sono se abate sobre todos eles, apagando-os completamente. O ônibus muda sua rota e tem seu motorista trocado, a turma B foi escolhida para o Programa.
Quando acordam, estão todos sentados em carteiras escolares, dentro de uma sala de aula de uma escola localizada dentro de uma ilha, com colares em seus pescoços. Sendo o Programa estritamente sigiloso, o governo já havia evacuado todo o local, usando de alguma desculpa, deixando-o completamente deserto, ou seja, todos os residentes da ilha saíram deixando tudo para trás, casas, lojas, clínicas, comidas, pertences e animais.
Vamos as regras de “Battle Royale”. Cada aluno deixará a sala em intervalos de 2 minutos, conforme forem chamados. Cada um também receberá uma mochila preta de náilon relativamente grande, portando um kit de sobrevivência, onde encontrarão um mapa, uma bússola, um relógio, água potável, comida e uma arma. Cada kit terá uma arma diferente, podendo ir de uma metralhadora até um garfo de cozinha. E todos os kits são distribuídos de maneira aleatória entres os alunos.
A ilha possui uma circunferência de aproximadamente 6 quilômetros. Espalhados ao norte, sul, leste e oeste dela, encontram-se barcos com a função de atirar para matar qualquer um que tente escapar pelo mar. O Programa é montado de maneira que não seja possível fugir do local de execução do experimento.
No início, os alunos de “Battle Royale” são livres para irem para onde quiserem quando saírem da sala, no entanto, após 20 minutos depois de todos saírem da escola, essa área e cerca de 200 metros entorno dela se tornará um quadrante proibido. 4 vezes ao dia, a cada 6 horas, anúncios serão transmitidos por toda a ilha. Avisando sobre as últimas mortes e os novos quadrantes que passarão a ser proibidos depois de certo horário, ou seja, é necessário que eles alinhem seus movimentos de acordo com os quadrantes livres, se não quiserem conhecer a função explosiva das coleiras.
O belíssimo acessório em seus pescoços é um dispositivo tecnológico cuja estrutura monitora as pulsações de fluxo elétrico do coração, verificando se estão vivos ou mortos. E transmitem, por ondas elétricas, essas informações para os computadores que estão na escola, bem como informam a exata posição de cada um na ilha. As coleiras são a prova d’água, de antichoque e podem explodir com um simples acionamento dos militares. São impossíveis de serem retiradas. Removê-las a força, também significa BOOM.
Com o tempo, o número de quadrantes possíveis em “Battle Royale” vão reduzir, forçando-os a se movimentarem, para que não travem o jogo ficando apenas escondidos. E há um limite de tempo, se no final de 24 horas do início do jogo, ou 24 horas após a última morte, não houver mais nenhuma morte, o tempo regular do experimento se encerra, não importando quantos alunos sobrarem, todos serão detonados pelas coleiras, não havendo nenhum vencedor.
E por último, o uso de telefones ou celulares para contatar qualquer familiar, amigos ou tipo de ajuda são estritamente proibidos. Antes de começarem a sair da sala, eles recebem um papel e um lápis cada um, onde são obrigados a escrever as frases: “Nós vamos nos matar uns aos outros” e “Se não matar, serei morto”. Os principais guias desse insano e cruel Programa.

Em “Battle Royale”, ao mesmo tempo em que os alunos descobrem que a sua turma foi a escolhida e recebem todas as regras, homens em sedãs pretos visitam a família de cada um deles, apresentando aos pais ou responsáveis os documentos com o brasão pêssego, símbolo do governo. Alguns abaixam a cabeça em silêncio, pensando nos filhos que nunca mais vão ver, outros se revoltam, e esses sofrem agressões com cassetetes, abusos sexuais ou são mortos por uma submetralhadora, partindo desse mundo antes mesmo de seus filhos.
E assim começa o jogo. Você realmente conhece as pessoas que estudam com você? Ainda que os conheça há anos, o que realmente sabe sobre eles? Eles mostram quem são ou vivem de aparências? O que cada um já viveu e nunca contou a ninguém? Qual é a base e a estrutura familiar deles? Qual o passado de cada um? Quem é amigo? Quem é inimigo? Como definir algo assim? Quais motivos levariam alguém a realmente entrar no jogo? Por que alguém mata? Por que alguém quer sobreviver?
“Battle Royale” mostra o resultado da pressão psicológica, do medo, do pavor extremo, da desconfiança, da dor, da raiva, da inveja, da ganância, da falta de conhecimento, do abandono parental e de abusos físicos. Mostra também o resultado de boas instruções, de base de caráter, da amizade, da inocência, da confiança, da fé e do amor. A falta ou o excesso de humanidade. O resultado de muitas coisas que começaram bem antes do início do jogo, mas que certamente moldam o caminho que ele vai tomar.
Em “Battle Royale” você encontra um pouco de tudo. Aqueles que preferem encerrar a própria vida antes de se verem envolvidos em uma matança. Aqueles que decidem na sorte se vão participar ou não. Os que se entregam completamente ao jogo e os que vivem se escondendo. Aqueles que tentam contatar os amigos. Aqueles que tentam fazer todos pararem. Aqueles que perderam a capacidade de raciocínio. Os que confiaram e os que traíram.
Aqueles que vivem do oportunismo. Aqueles que se vingam por não terem o que querem. Os que lutaram bravamente e os que apenas se distraíram. Aqueles de quem tudo já foi tirado. Aqueles que nunca tiveram nada dentro de si. Os que odiavam todo mundo e os que acreditavam no melhor das pessoas. Aqueles que buscam por quem ama. Aqueles que são apenas egoístas. Os que atacam violentamente e os que salvam e cuidam. Aqueles que enlouqueceram de pavor. Aqueles que encontraram o amor.
Em “Battle Royale” há quem tentou usar um celular. Há quem tentou usar um notebook. Há quem tentou usar um megafone. Há quem tem excelentes habilidades físicas adquiridas pelos esportes praticados. Há quem tem excelentes conhecimentos de informática no estilo hacker. Há quem tenha conhecimentos médicos. Há quem tem habilidades em artes marciais. Há quem sabe montar bombas caseiras. Há quem compreendeu detalhes que nunca foram ditos a eles. Há quem montou bons planos de fuga. Mas será que qualquer uma dessas coisas se faz útil em um jogo como esses? Será que alguém realmente venceu?

O que leva alguém a querer sobreviver? E não falo só sobre o jogo em si, mas penso no depois do jogo. E se houvesse alguém dentro do Programa que conhecesse exatamente como cada etapa do jogo funciona. E se esse alguém estivesse disposto a salvar você? Confiaria? É possível que a finalidade de algo tão insano seja realmente a defesa nacional? E se houvesse alguém ouvindo tudo o que os alunos dizem? E se houvesse alguém apostando em um vencedor?
Takami, ao longo dos capítulos de “Battle Royale”, alterna as perspectivas dos personagens, nos permitindo conhecer um pouco de cada um, mostrando os laços familiares e de amizade, as rivalidades e as paixões secretas, as linhas de pensamentos e os níveis de conhecimentos, os gostos pessoais e as habilidades esportivas, além dos acontecimentos que marcaram suas vidas, seja no sentindo de os fortalecerem, seja no sentindo de traumas gerados. Cada detalhe molda as escolhas feitas por cada um.
Com personagens que vão dos mais compassivos aos mais cruéis, temos aqueles que são fáceis de se compreender, suas personalidades e suas escolhas, mas também temos aqueles que são tão complexos, repletos de camadas que moldam quem eles são, que nos levam a questionar o que esta por trás de suas personalidades, o que pode ter acontecido a ponto de quebrar a humanidade de uns e de fortalecer a de outros.
“Battle Royale” é muito mais do que um livro sangrento carregado de violência gratuita. Ele fala sobre o totalitarismo e o controle estatal, um governo que usa um programa insano como método de disciplina, sustentando-se em cima do terror e medo coletivo. Fala sobre desumanização e espetacularização da violência, transformando jovens em peças descartáveis enquanto naturaliza crueldades apenas porque são institucionalizadas.
“Battle Royale” fala sobre amizade e lealdade em tempos extremos, onde a confiança se torna uma arma perigosa. Fala sobre a perda da inocência, principalmente quando aborda brutalidades que já acontecem fora do jogo, jovens carregando o mais amargo da vida pelos erros dos adultos. Fala sobre humanidade e a luta moral interna, como vencer um jogo tão cruel sem se perder completamente, quando a sua sobrevivência vai estar acima da sua humanidade.
Takami traz uma narrativa que alterna entre ação frenética e momentos de introspecção, com capítulos curtos, criando um ritmo que raramente desacelera. As descrições de violência são cruas e pesadas sim, mas como eu disse, não são gratuitas, estão ali exatamente para revelar o mais absurdo do mundo criado por ele, bem como nos mostrar o contraste gritante entre muitos dos personagens, nos levando a refletir o que pode surgir como fruto de uma sociedade como essa. Mas aviso que, de fato, talvez não seja um livro para qualquer um.
A atmosfera de “Battle Royale” é tensa e sufocante, cercada de paranoias, desconfianças, desesperos e medos. E é bem provável que aquele por quem você vai torcer, acabe morrendo, afinal é um jogo onde nem sempre os bons são salvos. Mas, de contrapartida, também há momentos de solidariedade, bondade e ternura entre os alunos, contrastes que tornam a narrativa mais impactante e talvez torne tudo mais doloroso também (😂)
A obra de Koushun Takami questiona constantemente o papel do Estado, a alienação social e o limite da moralidade humana quando colocada sob pressão psicológica extrema. E suas críticas ao totalitarismo são universais, carregadas de ecos inquietantes de muitos lugares da nossa atualidade. “Battle Royale” é uma tensão constante que nos leva a refletir sobre obediência cega, sobre até onde o medo e o desespero nos levam, sobre poder e ética, e sobre sobrevivência e humanidade, como fazer ambas caminharem juntas em meio ao caos.
“Battle Royale” é violento, provocador, intenso e ainda que seja difícil de acreditar, muito humano. Se interessou? Dá uma chance. Leia e depois venha aqui me contar o que achou.
Curiosidades
A obra “Battle Royale” de Koushun Takami foi finalizada em 1996, mas foi rejeitada na fase final do prêmio “Japan Grand Prix Horror Novel” de 1997, bem como por diversas editoras, pelo seu conteúdo polêmico e violento envolvendo estudantes menores de idade. Mas em 1999, quando publicado, o livro se tornou um sucesso de vendas no Japão, principalmente entre o publico jovem, o que foi totalmente inesperado.
“Battle Royale” acabou sendo publicado em cerca de 17 países e devido ao enorme sucesso, em 2000, ganhou uma adaptação cinematográfica, um filme cult dirigido por Kinji Fukasaku. E também influenciou fortemente o mundo dos gamers, tendo jogos do gênero battle royale, como Fortnite e PUBG, inspirados na obra original de Takami.
O autor nunca mais publicou outro livro, seja continuação dessa obra ou mesmo outra história, mas teve o seu universo expandido através de uma adaptação em mangá, 5 volumes (no Brasil) escritos e ilustrados por Masayuki Taguchi, com supervisão do próprio Takami.
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2 Comentários
Uallll, que resenha intrigante, fiquei muito curiosa pra ler esse livro!!!
Se um dia resolver encarar esse jogo, venha aqui me contar o que achou 😉