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Resenha do Filme: “A empregada”

Resenha do Filme: "A empregada"
Resenha do Filme: "A empregada"

Filme: A empregada

Direção: Paul Feig

Produção: Todd Lieberman, Alex Young, Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Paul Feig e Freida McFadden

Roteiro: Rebecca Sonnenshine

Produtora: Lionsgate, Hidden Film 

Baseado em: Livro “A empregada”, Frieda McFadden

Ano de lançamento: Dezembro de 2025

Tempo de duração: 2h 13m

Classificação indicativa: 16 anos

Onde assistir: Por enquanto, apenas nos cinemas.

Sinope

A Empregada“, suspense baseado no best-seller de Freida McFadden, segue Millie (Sydney Sweeney), uma jovem com passado difícil que encontra um recomeço trabalhando para o rico casal Nina (Amanda Seyfried) e Andrew (Brandon Sklenar). O trabalho dos sonhos se transforma em perigo quando ela descobre segredos sombrios, mentiras e manipulações mortais escondidos na luxuosa mansão dos Winchester

Filme “A empregada”

É preciso saber que há consequências para suas ações

Paul Feig traz para as telas a adaptação cinematográfica de “A empregada”, uma das obras literárias de grande sucesso de Freida McFadden, um suspense psicológico que inquieta, intriga e impacta. Feig traz uma narrativa carregada de tensão, com uma construção cuidadosa de desconforto e estranheza crescentes, seja no clima, com a casa, na relação entre os personagens ou em todas as suas reviravoltas. Certamente uma história que te prende do início ao fim.

A trama de “A empregada” acompanha Millie Calloway, uma jovem em busca de emprego, em busca de uma oportunidade de recomeço. E isso acaba levando-a até a mansão dos Winchesters, em uma entrevista de emprego para ser a empregada da família. Em suas funções, seria responsável por limpar e organizar a casa, cozinhar para eles e também cuidar da filha do casal.

A vaga tendo como exigência que ela more com eles, Nina Winchester, a contratante, lhe apresenta a belíssima e luxuosa mansão, que contém até um cinema particular. Sem deixar de notar o quão impecavelmente limpa a casa é, Millie questiona se é realmente necessário ter uma empregada, tendo como resposta que Nina está grávida, portanto, precisará de ajuda para deixar a casa tão perfeita quanto se encontra.

Já quanto ao quarto que se seria destinado a empregada, Nina apresenta a Millie o sótão, um lugar pequeno e simples comparado a todo o restante. Contém uma cama de solteiro, um pequeno armário e uma mini geladeira. E ela teria o próprio banheiro, por mais simples que fosse. Perfeito para quem está morando no próprio carro e mantendo sua higiene em paradas públicas.

Em “A empregada”, vemos que Millie acredita que nunca mais colocará os pés naquela casa, não depois que Nina checar tudo sobre a sua vida e descobrir que ela esteve presa e que está na condicional. No entanto, por sorte ou não, Nina entra em contato, oferecendo a vaga, e achando que a mulher está apenas seguindo uma intuição, que não checou nada, Millie aceita rapidamente, antes que ela mude de ideia.

Em seu primeiro dia de trabalho, Millie se depara com uma casa totalmente diferente do dia da entrevista, está completamente bagunçada e suja. E também conhece o restante da família. Cecelia, a filha de 7 anos do casal, e Andrew Winchester, o marido de Nina, aparentemente nenhum deles sabiam sobre a sua contratação, nem que ela moraria na casa.

Ao se instalar no seu quarto, nota coisas que não havia reparado antes. A pequena janela não abre, pois está selada, e a porta não possui tranca pelo lado de dentro, apenas pelo lado de fora. Nina garante que o quarto é bem ventilado e que entregará a ela a chave, para que se sinta segura de alguma forma. Também dá de presente a ela um celular novo, justificando que achou o dela muito simples, e que naquele já estava cadastrado o cartão de crédito da família, através do qual ela faria as compras que fossem necessárias.

Tudo muito incrível. No entanto, as aparências enganam, não é? Ou será que não?

No decorrer dos dias seguintes, Millie passa a conhecer uma Nina diferente. Desiquilibrada, capaz de destruir uma cozinha inteira por não encontrar um papel deixado por ali. Alguém que aparece silenciosamente nos lugares, que dá ordens e depois diz que não deu, que cobra ordens que nunca deu. Alguém que faz acusações constantes, bem como ameaças de demissão. Instável, ora abraçando e sendo agradável, ora exigente, ou mesmo intransigente, arrogante e até mesmo cruel. Um tanto quanto surtada.

Resenha do Filme: "A empregada"
Cena do filme “A empregada”, dirigido por Paul Feig

Não demora muito até que um trabalho simples e comum se torne um ambiente opressivo e abusivo. Mas Millie precisa do emprego, por mais insuportável que seja, por mais louca que Nina se mostre, ela depende disso para não voltar para a cadeia.

Como tudo na vida tem o seu contraponto, Andrew é aquele que torna tudo mais leve. Um marido e pai presente. Ele é quem se mostra atencioso, gentil e compreensivo. Por vezes, o único que demostra um pouco de compaixão com ela. Acaba sendo nítido um interesse nascendo entre os dois, o que pode levar tudo a um jogo muito perigoso.

Em “A empregada”, descobrimos que nada é como de fato parece ser. Mas o que realmente poderia levar Nina a agir de tal maneira? O que poderia levar Andrew a seguir com o casamento? O que Andrew realmente enxerga em Millie? Continuaria interessado nela se soubesse sobre a cadeia? Quais são os segredos que permeiam essa família?

Millie certamente se depara com algumas informações, uma história contada pelo marido, fofocas entre outras esposas, comentários de outra empregada ou mesmo um armário de remédios. Exatamente qual informação faria você ir embora, mesmo que isso colocasse tudo a perder para você?

Enquanto tudo se torna cada vez mais estranho, gerando a constante sensação de perigo, sinais de alertas são dados. Entre as regras implícitas, os comportamentos contraditórios, os silêncios estranhos e ações constrangedoras, temos um jardineiro que está sempre rondeando a casa e temos uma casa de bonecas onde Cecelia conta uma história.

Mas será que Millie consegue compreender os sinais? Ou quando se enxerga apenas aquilo que se quer ver, se torna cego para todo o resto? É preciso ter cuidado com aquilo que se deseja. É preciso reconhecer os seus privilégios e cuidar deles.

Um show da Broadway. Um jantar. Um quarto de hotel. Um quarto. Onde tudo pode mudar. O início e o fim. A salvação de uns, a perdição de outros. Qual o perigo que Millie corre? Ou qual o perigo que corre aqueles que convivem com a Millie? Afinal de contas, enquanto a empregada observa tudo o que acontece na casa, quem é que observa a empregada? Quem é que sabe os seus segredos? Quem é que vai realmente olhar para além das aparências?

O filme explora questões como relações de poder, manipulações, violência doméstica, julgamento por aparências e sobrevivência. Tem um ritmo contido e bem calculado, favorecendo no impacto emocional dos acontecimentos. É mais psicológico, provocando mais pelo incômodo do que por sustos. É quase silencioso em alguns momentos, a tensão se encontrando nos detalhes, olhares, pausas, palavras não ditas e até mesmo nos espaços, a casa não é só um mero cenário, é também personagem, que reforça a opressão e o isolamento emocional de uns, bem como o vazio de outros.  

O suspense cresce em camadas, sustentando o tempo todo a sensação de que algo está fora do lugar, mesmo quando tudo parece estar certo. Brinca com o contraste entre aparência e essência, tanto quanto brinca com a ambiguidade. Nenhuma das personagens é previsível e aqui eu destaco as atuações de Sydney Sweeney e Amanda Seyfried (❤️), que sustentam a narrativa, nos conduzindo, de maneira sutil e intensa, pelo jogo de poder que define a história.

Quanto a ser uma adaptação de obra literária, eu achei “A empregada” incrível. Muda sim algumas coisas em relação ao livro, mas nada que faça perder o sentido ou essência da história. Mas confesso que senti falta de uma ou outra coisa que, para mim, fez mais sentido no livro a maneira como aconteceram. No entanto, também confesso que amei algumas coisas que foram acrescentadas ou mesmo alteradas para o filme, deixando mais interessante e algumas até mais tocantes.

A empregada” é um filme envolvente, quando menos se dá conta, você está completamente imerso na história. Ele é provocativo, te fazendo questionar sobre segurança e controle, sobre qual o limiar entre eles., como garantir um a si mesmo ou como sobreviver ao outro. Questionar sobre os pré-julgamentos que fazemos em cima das aparências, sejam elas positivas ou negativas, e como isso interfere em nossas escolhas, bem como em ações que podemos fazer pelos outros.

Paul Feig entrega gradualmente um suspense elegante, inquietante e perturbador, carregado de uma tensão psicológica bem construída, te prendendo do início ao fim em sua narrativa e certamente te impactando por um bom período.  

Dê uma chance, assista e depois venha aqui me contar o que achou. E caso não tenha lido o livro “A empregada”, eu recomendo muito, é viciante, cheio de tensão, segredos e reviravoltas. 

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