
Título: A empregada
Autor: Freida McFadden
Tradução: Roberta Clapp
Capa: Lisa Horton
Editora: Arqueiro
Ano: 2023
Páginas: 304
Classificação Indicativa: 16 anos e acima
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Conteúdo
Sinopse
Todos os dias, Millie limpa a casa de Nina e Andrew Winchester de cima a baixo. Pega a filha deles na escola. Prepara refeições deliciosas para a família toda antes de poder se recolher e enfim comer o próprio jantar, sozinha em seu quarto minúsculo e claustrofóbico no sótão.
Quando Nina passa a sujar todos os cômodos de propósito só para vê-la limpar, Millie tenta não perder a cabeça. Quando conta mentiras perturbadoras sobre a própria filha e tortura psicologicamente o marido, que parece mais e mais fragilizado, Millie tenta ignorar.
Afinal, com seu passado problemático, ela tem mais é que agradecer por ter conseguido esse emprego.
No entanto, ao olhar dentro dos lindos e doces olhos de Andrew e ver o sofrimento contido neles, Millie não consegue deixar de imaginar como seria ter a vida de Nina. O closet cheio de roupas lindas, o carro elegante, o marido perfeito.
Logo os Winchesters vão descobrir que não fazem a menor ideia de quem Millie é de verdade. Nem do que ela é capaz de fazer.
Livro “A empregada”
Vou deixar você sair. Mas não ainda
O livro “A Empregada” é daqueles que te fisgam logo nas primeiras páginas, na primeira frase. Freida McFadden, através de uma escrita direta e intrigante, entrega um suspense psicológico que vicia, nos conduzindo por um jogo de constante tensão e desconfiança, enquanto brinca com as aparências e os pré-julgamentos. Aborda temas pesados, mas de maneira leve. Tem capítulos curtos (perfeito para quem é do time “só mais um capítulo”), se tornando uma leitura rápida, mas certamente muito impactante.
A história de “A empregada” acompanha a vida de Millie Calloway, uma jovem que cresceu no Brooklyn e há muito tempo está sozinha no mundo. Não conversa com seus pais e eles tampouco fazem questão dela. Enquanto busca por um emprego, se depara com um anúncio online que oferece uma vaga de empregada na mansão dos Winchesters, por um salário beeem alto. Ela resolve arriscar, ainda que suas chances sejam baixas.
Millie comparece a entrevista vestida de maneira simples, tentando parecer profissional e nada atraente, justamente por não querer que a sua contratante se sentisse ameaçada de alguma forma, tendo em vista que a vaga indicava que a empregada moraria na casa com eles. O trabalho seria limpar e cozinhar, e as vezes ficar com a filha do casal. Até aí tudo bem.
Nina Winchester, a contratante, ao oferecer a vaga para Millie, apresenta a casa a ela. Uma mansão belíssima, com um enorme gramado, com um belo jardim e um portão de metal que cerca toda a propriedade. Por dentro, no térreo temos uma gigantesca sala de estar e uma cozinha recém reformada. No segundo andar, temos o quarto do casal, o quarto da filha deles, o quarto de hóspedes, o escritório do Sr. Winchester e um cinema particular. Tudo lindo, caro e impecavelmente limpo.
No final do segundo andar, há uma porta que leva a um lance de escadas, onde se encontra o sótão reformado. Um estreito corredor, onde de um lado se tem um banheiro pequeno e do outro o quarto que será designado a empregada. O ambiente é minúsculo e o teto é inclinado, acompanhando o telhado da casa. No quarto contém uma cama dobrável de solteiro, um armário baixo e uma cômoda pequena, tudo isso iluminado por duas lâmpadas pendendo no teto, além de uma pequena janela, um pouco maior que uma mão, com vista para o quintal. Você aceitaria?

Em “A empregada”, vemos que isso é perfeito para Millie, dada as circunstâncias de sua vida. Mas ela não se anima muito com a oportunidade, já considerando que, para contratar alguém que não só vai dormir e morar com eles, mas que vai ficar com a filha deles, seus antecedentes criminais serão verificados. E aí a coisa toda se complica, visto que ela é uma ex-presidiária. Sim, isso mesmo que você leu.
Quando saiu da cadeia, Millie conseguiu emprego em um bar, de onde, segundo ela, foi demitida injustamente, mas tinha que agradecer por não chamarem a polícia, pois ainda está de condicional. Três semanas depois, foi despejada de sua quitinete. E assim acabou morando no seu carro e mentindo para sua agente de condicional, com quem tem uma reunião por mês. Continua dizendo a ela que tem moradia e emprego, para que não seja verificado os motivos da demissão, e isso por si só já é uma violação de condicional. De um lado ou de outro, ela se vê voltando para a cadeia. Desesperador, não?
Millie está morando em seu carro, um velho Nissan, há cerca de um mês, tudo o que tem está no porta-malas. Dorme encolhida no banco traseiro e dirige até as paradas quando precisa usar o banheiro ou chuveiro, que certamente não são nada higiênicos. Vive de sanduíches, salgadinhos e bolachas. Usando um telefone flip pré-pago. Se desesperando mais e mais a cada rejeição numa tentativa de emprego. Mas, tudo muda quando Nina entra em contato novamente, ofertando a vaga a ela.
Vemos em “A empregada”, que Millie acredita que Nina não tenha verificado seus antecedentes, que esteja apenas seguindo uma boa intuição que teve. Mas antes que ela mude de ideia, Millie aceita rapidamente trabalhar para ela, ou melhor, com ela, como Nina faz questão de enfatizar. Acredita que se trabalhar bem, tornando-se inestimável, talvez seja menos provável de ser demitida, caso a verdade sobre seus 10 anos na cadeia venha à tona. Finalmente teria um banheiro e uma cama onde poderia esticar suas pernas por completo. E lá vai Millie, ser a empregada perfeita, para a família perfeita, na casa perfeita.
Ao contrário do dia da entrevista, ao chegar na casa, Millie se depara com a plena imundície. Xícaras com líquidos pegajosos espalhados pela casa toda, assim como revistas e jornais amassados, caixa de pizza dobrada ao meio e na mesa do jantar restos da refeição anterior. Roupas e até mesmo lixo espalhados em cada canto. Um verdadeiro chiqueiro. Mas ela não reclamou, estava ansiosa para o trabalho pesado, fazer algo bom e honesto, bem como mostrar o quanto pode ser útil.
Nina, se mostrando alegre, entusiasmada e grata, lhe dá um iphone de última geração de presente, inclusive adicionando-a no plano familiar deles. Querendo garantir que terão uma comunicação confiável, quando precisar entrar em contato com ela. Cecelia, a filha de 9 anos, parece uma boneca em suas roupas com bordados e babados. Linda, mas um tanto quanto sinistra. E Andrew Winchester, o marido, um empresário que assumiu a próspera empresa do pai e desde então dobrou seus lucros. Um homem absurdamente rico e belo, segundo suas descrições. Bem como educado e gentil.
Em “A empregada”, vemos Millie notando coisas que não havia reparado antes, ao se instalar no seu aposento. Ela percebe uma mini geladeira, com cerca de 30 centímetros de altura, com duas prateleiras pequenas, contendo 3 garrafinhas de água. Uma caldeira em um canto, o que deve manter o quarto quente no inverno, mas nada que o refresque, já que a pequena janela não abre, pois está selada com tinta. E o pequeno armário está vazio, exceto por alguns cabides e um balde azul.
Descobre que a porta de seu quarto tem tranca apenas para o lado de fora, nenhuma pelo lado de dentro. E quando questiona, Nina explica que o local era usado como depósito, portanto não havia necessidade de tranca por dentro, quando foi convertido em quarto, apenas esqueceram de inverter, garantindo que entregará a ela a chave do quarto. E por falar em dentro, também nota marcas na madeira, longas linhas finas percorrendo a porta, exatamente como arranhões. Você continuaria com o emprego?
Na mansão Winchester há apenas dois funcionários, Millie, a empregada, e Enzo, o belo jardineiro italiano que não fala quase nada em inglês. E com o passar dos dias, Millie vai descobrindo o verdadeiro funcionamento da casa, bem como a verdadeira personalidade das pessoas que habitam nela.
Nina passa a mostrar comportamentos cada vez mais estranhos, bem diferentes da primeira impressão que entregou. Ciumenta, neurótica e com um humor bem imprevisível, ora abraçando Millie cheia de gratidão, ora repreendendo-a por uma tarefa que sequer pediu para fazê-la, dando ordens e depois dizendo que nunca falou nada. Sujando a casa inteira nitidamente de propósito. Nina é instável, esquisita e exigente. Diria até que um tanto quanto surtada. E sua filha estava indo pelo mesmo caminho.
Aos poucos, o que parecia ser um emprego comum, com tarefas comuns, algo que certamente salvaria Millie do seu maior desespero, se transformou em um ambiente opressor, carregado de silêncios desconfortáveis, presenças sufocantes. situações constrangedoras, ações perturbadoras e infindáveis pedidos de desculpas. Nada é exatamente o que parece ser, não é? Ou será que é?

Já Andrew, além da beleza física, com o passar dos dias, se mostra cada vez mais educado, divertido, atencioso e compreensivo. Marido e pai presente. Mas também sensível e vulnerável, alguém que também sofre dos contantes abusos psicológicos da esposa, sejam eles silenciosos ou não. É único que oferece a Millie um pouco de gentiliza e compaixão.
Vemos em “A empregada”, que após 10 anos sem contato com ninguém do sexo oposto, Millie, inevitavelmente, se vê atraída por Andrew. Passando a não entender o que ele viu em Nina e o porquê ainda está casado com ela. Não apenas por como ela o trata ou por sua personalidade, mas também por como ela tem tratado a si mesma, principalmente nos últimos dias. E tendo a vida que teve, passado as dificuldades que passou, inevitavelmente, Millie também se vê atraída pela vida deles como um todo. Por vezes, imaginando e desejando estar no lugar de Nina. À vezes, é preciso ter cuidado com o que se deseja, não é?
Há mais uma coisa inevitável em toda essa história, a sensação de perigo, a sensação de que existe algo fora do lugar. Ao longo das páginas, constantemente alertas são dados a Millie, alguns diretos, outros nem tanto. Comentários feitos por amigas de Nina, histórias contadas por outras empregadas, olhares e palavras de aviso do jardineiro e um armário cheio de frascos de remédios. Quais segredos carregam essa família? Até onde ir sem se envolver demais?
Um show na Broadway, um jantar, um quarto de hotel. O quarto. O início de tudo. O fim de tudo. Onde tudo toma um rumo diferente, ou será que era o rumo já esperado? Qual é a real personalidade de Nina? Quais os segredos que ela guarda? O que ela realmente deseja? Quanto perigo a Millie pode correr? Ou então, quanto perigo eles podem correr com a Millie por perto? Afinal de contas, quem é que sabe dos segredos que a empregada carrega.
“A empregada” aborda temas importantíssimos, como relações de poder e dependência, manipulações psicológicas, violências domésticas, sejam elas físicas, verbais ou morais, gritadas ou silenciosas. E principalmente os julgamentos que fazemos baseados apenas em aparências, sejam elas positivas ou negativas. O quanto isso pode ser prejudicial a nós mesmos, e também fazer com que nós, de alguma maneira, sejamos prejudiciais a muitos que poderíamos estar ajudando, ao invés de pré-julgando.
McFadden escreve de uma maneira simples e acessível, extremamente eficiente. O ritmo é acelerado e fluído. Os temas mais pesados são tratados de uma forma leve, sem excessos técnicos ou descrições explicitas demais. A ambientação toda é um tanto claustrofóbica, especialmente dentro da casa, onde boa parte da história se desenrola, reforçando o suspense psicológico e nos colocando completamente imersos na narrativa.
Os personagens são incríveis, dos protagonistas aos secundários. Personagens que intrigam e incomodam, construídos propositalmente para causar estranhamento e desconfortos. Rendendo tensão, desconfianças e uma curiosidade absurda para saber o que realmente está acontecendo naquela família. Mesmo quando tudo parece normal, há algo ali gritando que tem coisa errada acontecendo.
“A empregada” é um suspense psicológico cheio de tensão, segredos e reviravoltas inesperadas. Minha mente simplesmente explodiu umas três vezes no mínimo. É daqueles livros que se lê em poucos dias ou mesmo em um só, mas que vai deixar sua mente inquieta mesmo depois da última página, mesmo depois que fechar o livro, porque além de todo o suspense, ele também é provocativo.
O livro te leva a refletir sobre as aparências e o que elas realmente podem dizer sobre alguém, sobre como fazemos esses julgamentos. Sobre o quão fácil podemos ser enganados quando enxergamos apenas o que queremos, quando buscamos apenas a parte que nos interessa ou então buscamos conhecer apenas um lado e não o todo. Sobre o quão frágeis e vulneráveis nos colocamos quando confiamos apenas no que o externo nos mostra.
“A empregada” é daquelas histórias viciantes e impactantes, capazes de te chocar quando você acha que já não há mais nada que possa te surpreender. Se interessou? Dá uma chance. Leia e depois venha aqui me contar o que achou.
Curiosidades
Freida McFadden é uma médica neurologista, formada em Harvard, especializada em neurolesões. Usa esse nome como um pseudônimo para sua carreira de escritora de suspenses e thrillers, separando as duas carreiras. E como evita as aparições públicas, ela aumenta o mistério em torno da sua própria figura.
McFadden sempre escreveu, desde criança, mas só publicou o seu primeiro livro em 2013, “The Devil Wears Scrubs“, quando descobriu a auto publicação. Estourou de sucesso em 2022, com o lançamento de “A empregada“, e então deslanchou. Essa mulher simplesmente não para de escrever livros (AMO!), ficando famosa pelos seus plot twists e mistérios envolventes.
“A empregada” se tornando um fenômeno nas redes sociais e no BookTok, ganhou continuações. Temos já lançado “O segredo da empregada” e também “A empregada esta de ollho“. E existe um conto sobre essa série, disponível apenas em eBoook, chamado “O casamento da empregada“. E com o enorme sucesso de toda a série, o primeiro livro ganhou uma adaptação para os cinemas, lançado em dezembro de 2025, dirigido por Paul Feig, e estrelado por Sydney Sweeney e Amanda Seyfried.
Para quem tiver interesse, tem disponível o box da série “A empregada“. 😉







3 Comentários
Esse livro é simplesmente PERFEITO!!!!!
Eles traz um misto de sentimentos, raiva,angústia, aflição…
Viciante, não dá pra parar de ler!
E no final… A autora nos dá um soco no estômago!
E vibramos ,aplaudimos!!
Só leiam!!! É maravilhoso!!!!
É realmente isso, um soco no estômago hahahaha
Uau! Eu amo suspense. Fiquei com muita vontade de ler. Sua resenha está incrível.