
Título: A inexplicável livraria da cerejeira
Autor: Takuya Asakura
Tradução: Ayumi Ankaru
Capa: Banzisu
Editora: Harlequin (HarperCollins)
Ano: 2025
Páginas: 192
Classificação Indicativa: 15 anos e acima
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Conteúdo
Sinopse
Durante a breve e delicada temporada das flores de cerejeira, uma pequena livraria surge como por encanto, e desaparece tão silenciosamente quanto apareceu.
Todos são bem-vindos à inexplicável livraria, mas nem todos conseguem encontrá-la. Escondido entre ramos floridos e um aroma suave de café recém-passado, o local acolhe aqueles que carregam feridas que o tempo ainda não conseguiu curar. Mas há um detalhe curioso: a livraria só se torna visível para quem estiver lendo um trecho de um livro, no exato momento em que Sakura, a jovem e enigmática dona da lona, lê as mesmas linhas em voz alta para sua gata tricolor de olhar atento, Koubako.
Diferentes visitantes chegam à livraria – uma mangaka que lida com a morte da mãe ausente, um senhor lutando contra a perda das próprias lembranças, gêmeas que precisam ter uma conversa importante -, cada um trazendo um livro que, de alguma forma, espelha sua própria história e aconselha sobre como seguir em frente.
Livro “A inexplicável livraria da cerejeira”
“A imaginação das pessoas às vezes exerce poder sobre a realidade, e às vezes supera até os limites do que entendemos como nossa imaginação.”
Uma história guiada por magia, mistério, livros e uma gatinha tricolor, mas que seu verdadeiro encanto se encontra nos recônditos das emoções humanas. “A inexplicável livraria da cerejeira”, de Takuya Asakura, é uma leitura, ao mesmo tempo, melancólica e reconfortante. Fala principalmente sobre despedidas, e essencialmente sobre aquilo que permanece ou deve permanecer depois delas.
“A inexplicável livraria da cerejeira” nos apresenta uma loja que não está ligada ao mundo real, talvez esteja conectada ao outro lado dele, como se fosse o avesso de algo, muito além da nossa compreensão. Uma construção antiga de madeira, coberta por uma névoa que paira no ar. Em seu jardim da frente há uma antiga cerejeira em floração bem peculiar. Suas flores carregam cores que vão do branco no topo, a um vermelho que vai se intensificando ao se aproximar da ponta.
Na porta da frente há uma placa com a palavra “SAKURA” e lá dentro você encontra uma espécie de livraria com cafeteria. Há estantes repletas de livros, dos mais diversos conteúdos, por toda parte, com a exceção da cozinha. Toca sempre a mesma música. Quem cuida da loja é uma garota enigmática e sua gatinha tricolor de pelos longos, chamada Koubako. E ainda que sejam extremamente acolhedoras e anseiam por visitas, não é uma loja fácil de se encontrar, é preciso ser convidado e há certas regras para tal convite.
A loja não habitando propriamente o mundo real e sim seu avesso, faz com que sejam necessários alguns acontecimentos para que os mundos se conectem. É crucial que você esteja sob uma cerejeira em floração com um livro nas mãos. E a garota precisa estar lendo para Koubako o mesmo livro que você estiver lendo, exatamente a mesma parte e no mesmo momento em que estiver lendo. Isso é o que conectará os portais, permitindo que Koubako convide você. Sim, é isso mesmo. Quem faz o convite é a gatinha, assim como é ela quem escolhe os livros a serem lidos.

A garota descreve a loja como uma espécie de santuário temporário, e ela e a Koubako como fornecedoras de milagres. Mas o que será que esses livros poderiam de fato fornecer? O que realmente define um milagre? E se para despertar o portal fosse necessário algo mais profundo, como algo escondido em seu coração?
E é sob esses termos que “A inexplicável livraria da cerejeira” nos apresenta os seus visitantes e suas histórias. Começando por Mio Kisanuki, uma ilustradora de séries de mangás que, enquanto está sendo acusada de plágio, recebe uma ligação informando a morte de sua mãe. Em choque, ela se sente desconectada da realidade, distante até de si mesma.

Com o seu irmão morando na África do Sul por conta do trabalho, o que dificultava sua vinda ao Japão, coube a Mio lidar com o funeral sozinha, bem como com o apartamento e os pertences da mãe. E ao encarar onde e a maneira simplista como sua mãe estava vivendo, Mio acaba tendo que lidar com sentimentos conflitantes acerca do que sabia sobre ela e sobre a relação que tinham.
Havia dois anos que a mãe tinha vendido a casa onde cresceram e se mudado para aquele apartamento. Os filhos já quase não a visitavam, o irmão pela distância, e ela por constantemente usar o seu trabalho como desculpa. Nunca foram a família mais harmoniosa, se recordava de ouvir muitas discussões, mas a após a morte do pai quando ela tinha apenas treze anos, o pouco que tinha se desfez. Mio não entendia o porquê de muita coisa.
Com a renda da casa dependendo apenas da mãe, que trabalhava como professora do ensino fundamental, a Mio coube todo o trabalho doméstico e os cuidados com o irmão mais novo. E com essas responsabilidades, dificilmente ela conseguia fazer amigos. A mãe sempre fora muito rígida com o dinheiro também, não tinham e nem faziam nada além do que fosse necessário. Até quando foi para Mio ingressar em uma faculdade, a mãe fez questão de dizer que não a impediria, mas não a ajudaria financeiramente com nada.
Mas também foi essa mesma mãe que surgiu com revistas antigas de mangás, assim que percebeu o interesse dela em desenhar, surgindo ali sua obsessão com as ilustrações e futuramente sua profissão. Mio sabia que sua mãe não era boa em se expressar, mas se naquela época tivesse surgido por parte da mãe um mínimo de reconhecimento por tudo o que ela estava assumindo em casa, ainda tão nova, talvez um muro enorme não teria se erguido entre elas.
Em meio a toda organização do apartamento, um primo do lado paterno da família surge ao saber sobre a morte da mãe de Mio e através dele, ela descobre uma parte da história de seus pais que nunca sequer imaginou, descobre detalhes sobre sua mãe e até sobre si mesma, momentos que sequer se lembrava, mudando sua visão sobre tudo.
Enquanto terminava de organizar o local, encontrou uma caixa de madeira no fundo do armário, notou que ali a mãe guardava coisas importantes para ela. Coisas sobre os filhos, que remetiam seus nascimentos e progressos escolares, a licenciatura de professora e recordações de turmas pelas quais foi responsável. E também um livro, “O pequeno príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry.
Quando saiu para comer alguma coisa, carregou o livro consigo. Havia se recordado de quando a mãe costumava ler para ela. Sentada em um banco, embaixo de uma cerejeira em floração, ela folheou o livro, parando em uma certa página, lendo a passagem que ali se encontrava, enquanto em seu coração um desejo profundo se formava.
Então um miado se fez ouvir e uma loja apareceu.

Depois “A inexplicável livraria da cerejeira” nos apresenta a Shingo Kikukawa, um maquinista de trem já aposentado, que mora em uma clínica para idosos, onde sua neta Mai trabalha como nutricionista geriátrica. Shingo luta contra o esquecimento de suas lembranças.

Há um sonho que constantemente se repete para Shingo. Ele chega com o trem em uma plataforma e ao descer tem neblina por toda parte, inclusive sobre as cerejeiras da montanha. Então um vento sopra a neblina e uma construção de madeira em estilo japonês surge diante dos seus olhos. Há um estranhamento para ele, pois não há estações como a que vê naquela linha de trem. Então percebe alguém sentado em um banco próximo as catracas, sua esposa Yuriko. Pergunta o porquê ela está ali. Ela levanta, abre a boca, mas sua voz não chega até ele. A neblina volta e tudo some.
Assim que acorda, Shingo esquece o que sonhara, se quer se lembra que sonhou algo. Encara o lugar onde se encontra e não tem certeza sobre ter se aposentado e também não entende o porquê em seus olhos há lágrimas ao acordar. Quase nunca tem certeza de nada. A cada dia que passa, há mais coisas das quais não consegue se lembrar. Ele sabe que suas memórias estão lá, mas não consegue acessá-las, isso gera uma impaciência e ansiedade enorme dentro de si.
Um dia, enquanto assistia TV na sala junto a outros idosos, ele ouve uma música e isso lhe desperta uma memória, o momento em que pediu a Yuriko em casamento. O momento em que ela diz sim, mas lhe pede uma promessa. E então tudo some, não consegue lembrar o que ela pediu. A aflição toma conta, bagunçando sua mente, ele sabe que há algo para se lembrar. Sente seu tempo acabando, a ansiedade vai tomando conta. É tarde demais. Se quer lembra o que estava pensando. O surto acontece.
Mai avisa a mãe, Sanae, que mora em uma cidade um pouco afastada da clínica, o que aconteceu com o avô, e ela vai visitá-lo. Shingo se vê diante de sua filha e sua neta, sem reconhecê-las de fato. Ouvindo delas, sua própria história, sobre como foi parar ali, sobre como sua esposa, sua Yuriko, já havia falecido há 5 anos. Elas conversam e tudo o que vem a sua mente são fragmentos de lembranças.
Para animá-lo um pouco, sua filha lhe entrega um presente. Um livro, o favorito de sua esposa, “Sonhos de dez noites”, de Natsume Sõseki. Ela conta que ele mesmo pediu pelo livro, dizendo que queria lê-lo mais uma vez. Não se lembra disso. Elas o levam a um passeio pelo jardim, para que pudessem ver a nova floração das cerejeiras, o deixam sentado por ali, com o livro no colo. Ele o abre e folheia. Fragmentos de memória lhe surgem. Ele lê um trecho do livro enquanto um desejo profundo toma conta do seu coração.
Então um miado se fez ouvir e uma loja apareceu.

“A inexplicável livraria da cerejeira” nos apresenta então duas pessoas, irmãs gêmeas, Kaho e Shiho Fukamachi. Quando crianças eram tão próximas que costumavam achar que eram apenas uma. Mas algo mudou entre elas com o passar do tempo, uma distância íntima silenciosa. Só que agora, com a aprovação de Shiho na faculdade de medicina e com sua mudança de cidade por conta disso, essa distância se tornaria maior ainda, se tornaria física também.

Quando estavam no jardim de infância, as irmãs foram escaladas para uma peça de teatro, Peter Pan. Shiho entrou como Wendy e Kaho como Sininho, ambas disputariam a atenção de Shoma, o amigo delas que interpretava Pan. Com os ensaios, Kaho foi entendo melhor a peça e percebendo que Sininho, apesar de ser uma companheira leal, não recebia atenção alguma, enquanto Wendy, além de atenção, recebia o carinho de Pan. Kaho vivenciou muitos sentimentos conflitantes, dos ensaios até a apresentação, enquanto se comparava a irmã.
Os três viviam andando juntos, do jardim de infância até o ensino fundamental, só que essa proximidade começou a incomodar a Kaho, e aos poucos passaram a ver Shoma com menos frequência, até que quase não o viam mais. Kaho mal pensava sobre o assunto, até que um dia, um pouco antes das férias de verão do quinto ano, ao chegar em casa, ficou sabendo pela mãe que o antigo amigo tinha falecido.
Shoma tinha leucemia e Kaho não compreendia a doença na época, mas se recordava de um dia ter ido ao hospital com a mãe e a irmã para visitá-lo, mesmo depois de terem se afastado. Não entendia o porquê da visita e nem porque fora deixada sozinha no quarto de hospital com ele. Ficou em choque com a notícia, mas ao ir falar com a irmã e ver o quanto ela chorava, percebeu que aquele garoto ocupava um lugar especial no coração de Shiho. Então, o que aconteceu quando estava a sós com Shoma passou a se tornar um incomodo em seu coração.
Temendo que, com a mudança de Shiho, a distância entre elas aumentasse ainda mais, Kaho a convida para um passeio. Refazer o caminho que as levavam até a escola, onde poderiam ver a floração das cerejeiras. Quando chegaram no ponto exato, sentaram-se em um banco e Shiho tirou de sua bolsa um exemplar do livro “Peter Pan“, de J. M. Barrie, dizendo que o havia encontrado enquanto arrumava suas coisas e que queria devolvê-lo.
Kaho viu ali a chance de abordar o assunto que atormentava seu coração. Shoma, aquele dia no hospital, elas… Perguntou se a irmã se lembrava da peça de teatro, enquanto abria o livro e lia um trecho da página, Shiho se aproximou e leu o mesmo trecho. Um desejo se formava no coração de cada uma.
Então um miado se fez ouvir e uma loja apareceu.

E por último, “A inexplicável livraria da cerejeira” nos apresenta Kozue Tonami, filha de um escritor famoso, Kazuhiko Tonami, que não conseguiu escrever mais nenhum livro, um esboço sequer, desde que sua esposa fora dada como desaparecida.

A mãe de Kozue desapareceu quando ela tinha apenas cinco anos, justamente quando a pequena começava a criar consciência do mundo ao seu redor. Hoje, não conseguia ter recordações de como se sentia na presença dela. Até a imagem que tinha da mãe era moldada pelas fotografias que estavam no escritório do pai e não por lembranças próprias. Muitos diziam que ela estava ficando a cara da mãe.
O pai havia decidido se mudar para o Japão, já que pretendia escrever sobre um outro escritor, Kenji Miyazawa. A mãe não estava muito contente com a ideia, pois Kozue ainda era pequena, mas ele a convenceu. Um dia, a mãe saiu para levar sua gatinha até o veterinário, acredita-se que ela dirigia pela estrada a beira mar quando tudo aconteceu. Um terremoto e então o mar se agitou em ondas violentas. Se quer conseguiram encontrá-la. O pai jamais se perdoou pela decisão tomada.
Havia pouco que Kozue sabia sobre a mãe. Ela amava livros, gatos, a música “Bolero”, de Ravel e as flores de cerejeira. O pai não falava muito sobre ela, nem sobre o que aconteceu, toda a dor que sentia. Não falava sobre as obras que já escreveu e nem sobre ter parado de trabalhar. Ainda que houvesse muito amor entre pai e filha, havia essa distância, as conversas evitadas, as palavras não ditas.
Kozue entrou no escritório de seu pai, e lá estava ele, sentado em sua cadeira com um livro nas mãos, “A primavera e o caos”, de Kenji Miyazawa, ali continha o poema favorito de sua mãe. Através das janelas era possível ver a floração das cerejeiras. Kozue se aproximou silenciosamente e então leu um trecho do livro aberto nas mãos do pai, enquanto em seu coração um desejo se formava.
Então um miado se fez ouvir e uma loja apareceu.

O que liga todas essas histórias? Quais milagres poderiam acalentar as feridas não cicatrizadas desses visitantes? Quem seria Koubako? E a garota? Será possível que aqueles que fornecem milagres um dia também precisariam de um? Quem poderia fornecer a garota o seu desejo mais profundo?
“A inexplicável livraria da cerejeira” tem uma narrativa muito delicada sobre perdas, lembranças e recomeços. Cada pessoa que passa pela livraria está vivendo um momento de mudança em sua vida, fisicamente e emocionalmente, aqueles momentos em que parece que parte da vida ou de nós saiu fora do lugar. E os livros, mais do que simples objetos nas estantes, acabam se tornando um meio para acessar e compreender aquilo que muitas vezes eles não conseguem expressar ou definir.
O livro nos remete a ideia de que algumas histórias parecem nos encontrar exatamente quando mais precisamos delas. Ainda que cada personagem carregue uma trajetória diferente, todas possuem algo em comum, o momento de seguir em frente e o quanto isso pode parecer mais difícil do que deveria ser. A loja por mais encantada que seja, não oferece respostas prontas para o que mais aflige cada um, mas oferece livros, conversas, lembranças e acolhimento, que acabam dando a eles a chance de enxergar seus conflitos e a si mesmos por um ângulo diferente.
Asakura aborda diferentes formas de perdas em “A inexplicável livraria da cerejeira”. O luto diante da morte. O receio pelo que foi dito ou não dito. O medo de esquecer alguém ou até de esquecer a si mesmo. A possibilidade de se afastar de quem sempre esteve presente em sua vida. A distância íntima por mais próximas que as pessoas estejam. A culpa diante de uma catástrofe. A frustração por não conseguir mais fazer o que lhe era natural. As diversas facetas da perda e a dificuldade que temos de aceitar que algumas coisas inevitavelmente mudam.
Afinal, como continuar quando alguma coisa muito importante para nós deixa de existir da maneira como nós conhecíamos? Como continuar quando algo muito importante se parte, quebrando uma parte de nós? Esquecer seria a solução? Seguir adiante seria apagar o que ficou para trás?
Como eu disse, não há respostas prontas. Não existe um manual que dita o passo a passo para você lidar com a perda e a dor que estiver afligindo seu coração. Mas “A inexplicável livraria da cerejeira” nos mostra o poder das lembranças, o quanto e como podemos marcar alguém e também sermos marcados. Há coisas que de fato não temos controle sobre, mas certamente podemos mudar a maneira como vamos lidar com o que nos acontece. Talvez as lembranças possam nos destruir, talvez elas possam nos salvar, cabe a nós decidir o tipo de poder que elas terão sobre nós.
É nesse contraste, entre uma livraria cuja existência habita no incompreensível, uma livraria que fornece o impossível e o cotidiano das vidas humanas, os relatos de seus medos e dores, a realidade de seus sentimentos, que a história encontra a sua força. A magia não muda o que acontece, nem cobra uma transformação de seus visitantes, apenas acolhe suas dores e lhes dá tempo, um tempo precioso. A partir daí, cada um escolhe o que vai permanecer e como conviver com o que ficou.

A escrita é simples, delicada e contemplativa. Não é o tipo de história que carrega reviravoltas ou desfechos surpreendentes, o impacto da narrativa está mais nos sentimentos despertados diante da trajetória de cada personagem. Como eu disse, é melancólico e reconfortante. Você lê sobre perdas, medos e dores, talvez até encontre ali algo muito próximo ao que já viveu, como eu encontrei, mas todo o cenário é de tal acolhimento e conforto, que ao invés de se sentir desconfortável diante da própria dor, você se sente abraçado. A história toda nos lembra que algumas coisas têm valor justamente porque não são eternas.
O foco do livro não está no suspense sobre a livraria ou a garota que toma conta dela, o elemento fantástico existe mais para se abrir uma porta. O foco está além disso. Pessoas tentando compreender suas perdas e suas dores. Pessoas descobrindo como lidar com o fim e também com os recomeços. E ainda existe uma reflexão interessante sobre a leitura. Um livro nunca muda sua história, não importa o tempo que passe. Quem muda somos nós. Talvez por isso, uma história lida em determinado momento da vida pode significar algo completamente diferente anos depois.
“A inexplicável livraria da cerejeira” nos fala sobre os sentimentos que por vezes escondemos e sobre como podemos nos perder em meio a eles, as vezes nos perder até de nós mesmos. Nos fala sobre como devemos encarar nossas feridas, ainda que com muito medo e compreender que elas não precisam ser esquecidas para que possamos continuar, as vezes só precisamos colocá-las sob uma ótica diferente, as vezes só precisamos dar um impulso diferente sobre elas.
De maneira sensível e até um tanto poética, essa ficção de cura fala sobre as despedidas da vida, algumas certamente inevitáveis, e como elas podem ser dolorosas e sufocantes, mas também fala sobre o que e como devemos carregar conosco o que permanecer. O poder das lembranças e o poder que damos a elas. E quanto aos livros, nos lembra que, às vezes, não somos nós que encontramos determinado livro. É o livro que parece esperar pelo momento certo para nos encontrar.
“A inexplicável livraria da cerejeira” é daquelas histórias que portam muitas tristezas, mas que também carregam seu acalento. Se interessou? Dá uma chance. Leia e depois venha aqui me contar o que achou.
Curiosidades
Takuya Asakura nasceu em Sapporo, no Japão, em 1966, e se formou na Universidade de Tóquio. Em 2002, ele venceu o primeiro prêmio “This Mystery is Amazing!” Grand Prize, com a obra “Yokkakan no Kiseki” (O Milagre de Quatro Dias). O livro vendeu mais 1,3 milhão de exemplares e chegou a ganhar uma adaptação para o cinema em 2005, dirigido por Kiyoshi Sasabe.
Além de escritor, Asakura também trabalha como tradutor de livros, do inglês para o japonês. Ele foi responsável pela tradução japonesa de “A Biblioteca da Meia-Noite”, de Matt Haig.
“A inexplicável livraria da cerejeira”, cujo título em japonês é “Sakura matsu, ano hon’ya de”, possui nessa edição uma indicação de playlist, como um conteúdo extra, criado especialmente pela Editora Harlequin, para enriquecer a experiência de leitura. Em seu repertório é possível encontrar uma mistura de MPB, faixas instrumentais e, principalmente, músicas de artistas japoneses contemporâneos e alternativos.





